BASE FILOSÓFICA : MICHEL FOUCAULT, PATRICK VIGNOLES, JOSÉ HERCULANO PIRES
OS CAMINHOS DA FILOSOFIA PASSAM PELA PESQUISA, PELO ESTUDO APROFUNDADO, PELA REFLEXÃO...COMECEI ESTE CAMINHO HÁ VÁRIOS ANOS, COMO AUTODIDATA - HOJE, SOB A ORIENTAÇÃO SEGURA DE MEUS MESTRES DA UNISUL, PRETENDO DESBRAVÁ-LO COM MAIS SEGURANÇA; AQUI ESTÃO OS MEUS TRABALHOS ORIENTADOS POR ELES, COMO RESULTADO DESSA RICA CONVIVÊNCIA.
sábado, 23 de agosto de 2014
segunda-feira, 23 de junho de 2014
O MEU (AMADO) PAÍS
Coração do mundo ...
pátria do Evangelho ... Há quem veja privilégios nestas palavras... muitos
julgaram ou julgam que o Brasil é a nova terra prometida e que nós,
brasileiros, o povo escolhido para abrigar os novos tempos. Na verdade fomos todos reunidos, por
afinidade, trânsfugas morais, delinquentes da ética, portadores de emoções
desvirtuadas, de todos os tempos, de todos os lugares da Terra, de todas as
crenças e filosofias, de todas as posições sociais, de todas as sociedades, de
todas as culturas, em um só lugar...
Brasil... de costas imensas, de largas e extensas praias, de
selvas verdes e matas densas, de mares
verdes e de aves multi coloridas, de felinos belos e serenos; do boto que se
confunde com o rapaz bonito da lenda criança; da pantera, da onça, do tucano e
do papagaio; do mico leão dourado e das borboletas azuis... do cãozinho amigo e
do gato ladino; das árvores que encantam, que ensombram, que fazem a chuva
chover... das noites enluaradas e das estrelas sem fim... do calor que assusta
e do frio que faz sofrer...
Visto do alto, o meu Brasil se confunde com outras terras e
outros mares tão azuis e tão extensos que minha vista mal alcança...o meu
Brasil de terras imensas, de águas ocultas, de rios largos e imensos, de peixes
tão grandes quanto pequenos. Visto do alto, meu Brasil me comove - quem é você,
Brasil? De quais lugares você veio e onde você está? Quem te construiu, quem
sustenta a tua integridade?
Do alto do mais alto pico do Brasil eu poderia estender meus
braços e abraçar o meu país, e torná-lo pequeno, e afagá-lo como a uma criança,
como a um filho querido que geme e se contorce em suas dores, dores tão grandes
que saem às ruas, que se revolta, que chora e se espreme em veículos que o
conduzem à busca do trabalho distante, ou do divertimento imposto e bancado
pelos novos colonizadores de ideias.
Quem é você, meu Brasil que, personificado em milhões de
olhares úmidos de pranto por seus filhos perdidos pela bala “perdida”... quem é
você, meu Brasil querido que, personificado em milhares de crianças e jovens
que, na escola, mal sabem ler e escrever uns, ou que se perdem nos
desequilíbrios da busca desenfreada do prazer que, logo trazendo o vazio, sai e sai novamente sem rumo, sem
destino...quem é você, meu Brasil, cujo olhar suplicante busca nos altares
frios e distantes a resposta para o seu desencanto...
Quem é você, meu Brasil de milhões de esperanças e de outro
tanto de almas enfermas da alma; quem é você meu Brasil que busca num simples
jogo de bola a alegria distante...
Porque, meu Brasil, tantos te tratam assim? Porque de tuas
matas mortas, de teus animais em extinção, de tua água que seca, tamanha a
poluição... E eu afago o meu país pequeno em meus grandes braços, e tal como o
profeta, levanto o meu país à vista d’Aquele que o criou, à vista daquele que é
maior do que eu mesma, do que todos, e que esteve entre nós nos ensinando a
caminhar, o entrego nos Seus braços, e
peço, e oro, pelo meu Brasil, para que possa andar com suas pernas vacilantes,
que possa sorrir de vera alegria, que possa ver em torno de si a grande
promessa de paz, que possa abraçar e ser abraçado, amar e ser amado, sem medo,
sem raiva, porque crescido, adulto, educado, maduro e irmão.
Que o meu Brasil possa sair de madrugada, e seguir para o
seu trabalho compensador, e encontrar a rota certa, a segurança, a
realização.
Que o meu Brasil não dependa de quem quer que seja para
alimentar-se, cuidar-se, ter seus filhos, comprar sua casa – porque tudo, tudo
que fizer e realizar e respeitar reverterá a seu favor.
Que o meu Brasil respeite mares e lagos, rios e matas,
animais e humanos, pois tudo faz parte do mesmo ciclo de vida, porque sabe que
se assim não fizer, simplesmente morrerá.
Que o meu Brasil tenha seus representantes legítimos porque
eleitos pela Verdade e por e pela Verdade trabalharão.
Que o meu Brasil querido seja o coração que ama e a terra do
Amor, que, renascido um dia, partiu mas nunca nos deixou.
Brasil: ergue-te, realiza, trabalha, acredita, ama, suba aos
montes mais altos, eleva-te em espírito e de lá, visualiza o imenso caminho que
te cabe; ele está perto de ti, bem perto, tão visível quanto as estrelas, tão
fresco quanto as ondas do mar, tão vivo quanto as árvores, silentes, belas e partícipes da vida – sai em
busca das tuas bem-aventuranças, segue a
Luz que te criou, encontra-te contigo mesmo, e com todos os que te cercam.
Meu Brasil, jamais se submete, jamais se escraviza, a nada e
a ninguém, a nenhuma circunstância. E o meu Brasil refeito e reconstruído,
espiritualizado e trabalhador, finalmente estará pronto para abrigar a Paz – e
de seu imenso coração emanarão os mais sublimes sentimentos que abraçarão a
Terra inteira, os nossos irmãos.
Sonia sábado, 21 de dezembro de 2013
FELIZ NATAL COM JESUS DE NAZARÉ!!!
ELE NÃO FOI UM FILÓSOFO, NÃO SE ENCAMINHOU ÀS CÁTEDRAS DO CONHECIMENTO LITERAL... NÃO SE PREOCUPOU COM AS ILAÇÕES DO PENSAMENTO... JAMAIS SE COLOCOU ENTRE OS GRANDES DO MUNDO, ENTRE OS DE GRANDE INTELIGÊNCIA OU SABER, ENTRE OS DETENTORES DO PODER TEMPORAL.
JESUS NASCEU E VIVEU NA SIMPLICIDADE ... ENSINOU OS VALORES DO ESPÍRITO, A HONORABILIDADE DA ALMA E A NOBREZA DO AGIR... SUA PRESENÇA FOI TÃO MARCANTE QUE O TRANSFORMARAM EM DIVINDADE.. FOI QUANDO ELE SE AFASTOU DE NÓS... HOJE, QUANDO OS HOMENS SOFREM E CHORAM EM MEIO ÀS TRAGÉDIAS DO COTIDIANO PORÉM EM MEIO TAMBÉM AS REALIZAÇÕES PERENES, ELE RESSURGE EM PLENITUDE, EM SABEDORIA E EM AMOR ... PRESTEMOS ATENÇÃO ÀS SUAS PALAVRAS, AOS SEUS ENSINOS, À SUA LUZ...
sexta-feira, 21 de junho de 2013
I WAS AS BLIND, BUT NOW I SEE.. EU ESTAVA CEGO, AGORA VEJO... ("AMAZING GRACE" )
QUE O BRASIL POSSA RESPIRAR MAIS LIVRE... QUE O BRASIL POSSA ABRIR OS OLHOS E ENXERGAR... QUE O BRASIL POSSA VIVER, ESTUDAR, TRABALHAR EM PAZ... QUE NOSSAS CRIANÇAS E JOVENS BRASILEIROS TENHAM ESPERANÇAS... QUE OS NOSSOS IDOSOS BRASILEIROS ESTEJAM COM A CONSCIÊNCIA TRANQUILA... QUE O PODER SEJA APENAS O DAQUELE QUE SABE RESPEITAR, HONRAR E BEM ADMINISTRAR O BEM PÚBLICO.
SAUDAMOS O BRASIL - O DE HOJE E PARA SEMPRE !
CEFE, JUNHO 2013
quarta-feira, 22 de maio de 2013
ODE À ALEGRIA
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| Ludwig Van Beethoven |
Era o dia 7 de maio de 1824.
Os privilegiados espectadores sentados na plateia do Teatro em Viena, então capital do Império Austro-Húngaro, mal sabiam que estavam para presenciar a primeira audição mundial da maior obra-prima da História da música.
Ainda que o autor já fosse uma celebridade, recebido naquele mesmo dia com uma ovação digna das plateias de música pop de hoje, a reação foi surpreendente.
O comissário de polícia precisou intervir, para silenciar a explosão de aplausos na chegada do alemão: Ludwig Van Beethoven.
Era o dia da primeira apresentação de sua Nona Sinfonia.
Após as palmas, um grande estranhamento.
Até então, a sinfonia - forma musical para orquestra consagrada durante o classicismo - excluía por definição as vozes humanas.
No entanto, no palco sentavam-se quatro solistas e um coral em quatro partes.
Para aumentar a perplexidade, enquanto todos os outros instrumentos desenrolavam movimentos que superavam a racionalidade clássica, permaneciam em silêncio o coral e os solistas.
Eles entrariam apenas no quarto e último movimento.
Beethoven, três anos antes de sua morte, ali realizava uma vontade que alimentava desde os 22 anos de idade: musicar o poema alemão Ode à alegria, de Schiller.
E era o que fazia no derradeiro movimento da obra, quebrando a última barreira do modelo sinfônico.
Oh, amigos, não chega desses sons? Entoemos algo mais prazeroso e alegre! - Vibrou o barítono em recitativo.
Os baixos do coro responderam-lhe forte: Alegria, alegria! - para que, com a orquestra silenciada, começassem a solar um dos temas mais conhecidos da música ocidental.
O tema proclamava: Todos os homens serão irmãos.
Era o poema da fraternidade universal, musicado pela genialidade e sensibilidade irretocáveis de Ludwig.
Abracem-se milhões! Enviem este beijo para todo mundo!
* * *
A arte é o belo expressando o bom.
É a expressão da beleza eterna, uma manifestação da poderosa harmonia que rege o Universo.
Convidar a arte para nossa vida diária é ter à disposição excelente instrumento de civilização e aperfeiçoamento.
A influência da música sobre a alma, sobre o seu progresso moral, é reconhecida por todo o mundo. Mas a razão dessa influência é geralmente ignorada.
Sua razão está inteiramente neste fato: a harmonia coloca a alma sob a força de um sentimento que a desmaterializa.
Redação do Momento Espírita, com citações do cap. A música espírita, do livro Obras póstumas, de Allan Kardec.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
ÉTICA MODERNA (KANT)
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| Cena do filme, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles, vencedor do Globo de Ouro |
“O Jardineiro Fiel” sob a ótica da ética kantiana
O filme dirigido pelo brasileiro
Fernando Meirelles (veja links abaixo) trabalha com um tema atual e abrangente: existe uma ética
nas relações entre empresas farmacêuticas e mercado consumidor? A partir de que
momento a ciência deixa de atender as necessidades humanas para satisfazer o
desejo de lucro das empresas? Qual a inferência das políticas públicas nessa
relação? A polêmica foi lançada..
Por outro lado, qual tem sido o
papel de ativistas nesse processo? É possível quantificar as interferências de
grupos ou de indivíduos nesse mesmo processo? E qual o resultado obtido por
esses grupos de indivíduos que em menor ou maior escala não somente denunciam
mas procuram interromper processos como o demonstrado no filme de Meirelles? Contudo,
o resultado da ação não é o que a torna ética, segundo Kant, mas o motivo, o que
deu motivação para a mesma.
Equacionar interesses privados
e/ou públicos com o respeito que se deva ter à vida humana, por meio da ética
tem sido a preocupação da Filosofia desde
Sócrates. No transcorrer do tempo vemos que no mais das vezes não há
conciliação possível quando os interesses mencionados se sobrepõem aos da
preservação e cuidados para com a vida. Haja vista as atuações de organizações
não-governamentais em outras áreas como Greenpeace, Mata Atlântica, Sou da Paz,
etc.
Em Kant essa mediação entre
sujeito-sociedade impõe uma relação moral onde o interesse individual seja
norteado pelo bem estar comum:
“A moral kantiana ameniza a importância do prazer,
do contentamento e da felicidade e institui a moral
dos deveres. Nesse enfoque, mais importante do que
a felicidade do indivíduo é agir por respeito ao dever,
conforme uma boa vontade. Kant não diz que não
tenhamos a obrigação e o direito de buscar e desejar a
felicidade. Porém, enfatiza com a sua moralidade que
devemos agir corretamente, independentemente do
fato de sermos felizes, ou não. Para tanto, o homem kantiano
busca transcender às inclinações, às paixões, às tendências,
aos impulsos ou aos desejos pessoais (homem transcendente),
para obedecer unicamente à lei moral, determinada pela
própria
razão – com base na boa vontade e no respeito ao dever
(homem transcendental). E, neste movimento, dá-se o encontro
com uma máxima capaz de orientá-lo na constituição
de sua própria moral: o imperativo categórico.” (UNISUL, LD
Ética Moderna)
Essa importância do prazer, do
contentamento e da felicidade mencionados estariam na relação direta com os
interesses de manutenção do lucro em primeiro lugar, e até em detrimento do bem
estar social. A retirada do mercado de produtos que satisfazem a necessidade de
manutenção da saúde dos indivíduos e a sua substituição por outros que não
atendam a esta necessidade mas que refletem um menor custo de fabricação; a troca
das embalagens e/ou dos nomes-fantasia
de produtos por outros com a tarja “novo” que não envolvem nenhuma mudança em
sua formulação, mas que chegam ao mercado consumidor com custo aumentado; a
alteração de fórmulas sem o conhecimento/aprovação de órgãos como ANVISA ou
correlatos em outros países; a propaganda excessiva de remédios pela mídia e
por unidades de distribuição com a mensagem subliminar “seja saudável e feliz desde que consuma tal medicamento” ou “você só pode ser saudável se consumir
este produto”, ou ainda “o artista tal também utiliza este remédio”, são
exemplos onde a prioridade é a plena satisfação individual e individualista de
interesses mesquinhos e egocentrados. Ou seja, os fins justificando os meios.
De forma alguma vemos aqui o homem
transcendente ou transcendental onde a relação com o outro se firma em bases de
boa vontade e de dever.
Conforme Barbara Freitag (FREITAG,
1992 apud UNISUL, LD, 2011): “As leis fixadas pela vontade legisladora do homem
racional orientam-se segundo duas categorias de valores: o preço e a dignidade
humana. O preço representa para Kant um valor exterior e a manifestação de
interesses particulares, ao passo que a dignidade representa um valor interior
de interesse geral. A legislação elaborada pela razão prática que visa ao
interesse de todos não pode ter como valor fundamental o preço, ser valor
fundamental de ser sim a dignidade humana.”
Segundo a autora, a “vontade
legisladora do homem racional” ou a autonomia segundo Kant deve ser conduzida
segundo a manter sim a sua individualidade porém nunca deixando à parte a
dignidade.
Na relação da ativista Tessa com o
problema por ela detectado na comunidade queniana, deu-se o seguinte (repetimos
aqui o trecho da LD/UNISUL):
“Porém, enfatiza com a
sua moralidade que
devemos agir corretamente, independentemente do
fato de sermos felizes, ou não. Para tanto, o homem kantiano
busca transcender às inclinações, às paixões, às tendências,
aos impulsos ou aos desejos pessoais (homem transcendente),
para obedecer unicamente à lei moral, determinada pela
própria
razão – com base na boa vontade e no respeito ao dever
(homem transcendental). E, neste movimento, dá-se o encontro
com uma máxima capaz de orientá-lo na constituição
de sua própria moral: o imperativo categórico.” (UNISUL, LD
Ética Moderna)
A personagem enquadrou-se
“categoricamente” na definição de homem transcendente, na medida em que “transcende”
o seu próprio bem estar individual, à própria limitação que lhe foi imposta
pelo fato de ser mulher e, num outro momento, grávida, em que se submete às
constrições de um parto em condições precárias com o intuito de “vivenciar” o
drama das mulheres africanas, muito embora esta necessidade de dever lhe tenha
custado a vida do próprio filho (aqui ela se enquadra na definição de homem
transcendental). A personagem ultrapassa a sua condição humana e num arroubo de
auto superação se atira num confronto gradativo e final contra o sistema.
Destaque-se aqui a metáfora
representada pelo marido de Tessa, o “jardineiro fiel”: aquele indivíduo que,
cumpridor de suas obrigações profissionais e domésticas, “cultivador” constante
de seus próprios valores, nunca interfere no “status-quo” no qual acredita e
põe fé, apesar das evidências contrárias. Somente quando cai em si dos valores
defendidos pela ativista, em seus reais significados e não como mecanismos de
fuga existenciais, reconhece nela uma transgressora dos interesses subalternos
da empresa farmacêutica, e que dá a própria vida em defesa das vítimas do
laboratório. Ele então assume a “missão” da ativista interrompida com a sua
morte, e completa a denúncia com a documentação comprobatória, morrendo por sua
vez, sob a própria vontade de morrer,
e nas mãos dos prováveis mesmos assassinos da mulher.
Profa. CARMELITA
SCHULZE
Bibliografia:
Bibliografia:
UNISUL-Ética Moderna, Livro Didático, 2011;
FREITAG, Barbara, Itinerários de Antígona, 1992 (texto da
Midiateca);
Filme “O Jardineiro Fiel”;
http://www.youtube.com/watch?v=69PfKdhY9gM
( última cena do filme).
http://www.assistironlinefilmes.com.br/assistir-online-filme-o-jardineiro-fiel.html#
http://www.assistironlinefilmes.com.br/assistir-online-filme-o-jardineiro-fiel.html#
SONIA THEODORO DA SILVA.
terça-feira, 12 de março de 2013
Reflexões sobre ESTOICISMO E CRISTIANISMO

Segunda a ética estóica, tudo o que existe na natureza é dotado de um Lógos (razão) que a governa. É no contexto do Império Romano, mais precisamente no final da Idade Antiga (no próprio período helenístico) que surge o Cristianismo e este vai dizer que tudo o que há no universo, inclusive o homem, é portador de Lógos e este Lógos é Deus.
A partir desta aparente relação com o estoicismo, elabore um texto dissertativo, explicando até que ponto as idéias do Cristianismo eram originais.
O estoicismo trouxe a ideia de que tudo na Natureza é governada pela razão (Lógos). “Essa razão pode ser chamada de alma do mundo ou mesmo de Deus. Tudo existe e acontece segundo uma predeterminação rigorosa. Concebida desta forma, a natureza é, em si mesma, justa e divina” (UNISUL LD, pg. 196). “Viver em conformidade com a razão torna o homem feliz, porque o liberta da escavidão das paixões. O sábio é aquele que não se deixa enganar pelos prazeres, nem se deixa modificar pela dor.” (ibidem, pg.197). Seguindo esse raciocínio, podemos encontrar no próprio Evangelho Segundo São João a assertiva de que Jesus é o Lógos, o Verbo encarnado, aquele que vem ao mundo para salvar os homens de seus pecados.
Jesus, em sua encarnação na Terra é o princípio divino a partir do qual Deus opera no mundo. Esta é a ideia de que o Lógos discutido pela Filosofia Antiga vai tomar um novo perfil, na pessoa da encarnação do Deus cristão.
Immanuel Kant, pensador da Idade Moderna, ao se referir a Idade Média diz que a mesma é o período da menoridade intelectual. Entretanto, a partir dos dados levantados pela pesquisa histórica, esta tese não alcança mais consenso. Porque desta afirmação?
Longe de ser um período “das trevas” do pensamento, a Idade Média é considerada, numa analogia de Dilthey, como um caldeirão onde ferviam as ideias; o século IV, na baixa Idade Média, floresceu em Alexandria uma das mais importantes escolas do pensamento, o neo-platonismo, de onde surgiram, de seus seguidores, uma das quais Hypatia, os primeiros momentos de uma ciência desprovida de misticismo. Embora os embates entre religiões, muito comum naquela época, as ideias adentraram os séculos posteriores, e mais precisamente no século XII, com Pedro Abelardo, e suas discussões sobre a Trindade, opondo a razão em confronto ao dogma, vão criar as sementes posteriores à análise de René Descartes. Na Escolástica medieval há o desenvolvimento do Humanismo, ou estudos humanísticos, “o que equivalia à atualização, dinamização e revitalização dos estudos tradicionais que incluíam a poesia, a filosofia, a história, a matemática e a eloquência.” (UNISUL, LD, pg.133).
Em diversas passagens do Livro Didático, você se deparou com a expressão: filosofia cristã. A temática central desta filosofia será o embate entre razão e fé:
a) Em que consiste este embate?
b) Das duas principais escolas filosóficas da Idade Média, a Patrística e a Escolástica, qual logrou maior sucesso na tentativa de conciliação entre fé e razão e por quê?
a) O embate entre fé e razão na verdade inicia-se já na Grécia Antiga, com a busca do arkhé de todas as coisas não no Monte Olimpo com as divindades mas na própria Natureza, ela mesma fornecedora dos elementos que constituem a criação. Com Sócrates, a discussão se amplia, pois o homem devia buscar nele mesmo as respostas às suas mais intrínsecas indagações, muito embora soubesse que não as tinha todas. Essa discussão se amplia, já no século IV d.C., entre as diversas seitas que existiam no mundo antigo, em confronto com o mundo pagão, mormente em Alexandria (UNISUL, LD, pg. 25). Longe de haver terminado, Fé e Razão continuaram a enfrentar-se no período medieval, com Pedro Abelardo, na Renascença com Descartes, havendo a cisão entre ciência e religião, gerando em nossos dias as modalidades criacionistas e evolucionistas, estas últimas aceitando a Teoria da Evolução das Espécies de Charles Darwin.
b) A Patrística surge num momento histórico de grande influência grega sobre o mundo. Grande parte dos pensadores deste período teve formação na cultura helênico-romana, o que fez com que fossem estabelecidos vínculos de continuidade entre a filosofia grega e o pensamento Cristão. Agostinho é o maior dentre eles, com as tentativas de conciliação do cristianismo com a filosofia platônica. A Escolástica por sua vez, com início propriamente dito no século XI, também teve seu período significativo com Pedro Abelardo. São Tomás de Aquino tenta a conciliação com a filosofia de Aristóteles para a formação da Teologia católica, com sua Suma Teológica.
(Orientador: prof. João Buss)
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