OS CAMINHOS DA FILOSOFIA PASSAM PELA PESQUISA, PELO ESTUDO APROFUNDADO, PELA REFLEXÃO...COMECEI ESTE CAMINHO HÁ VÁRIOS ANOS, COMO AUTODIDATA - HOJE, SOB A ORIENTAÇÃO SEGURA DE MEUS MESTRES DA UNISUL, PRETENDO DESBRAVÁ-LO COM MAIS SEGURANÇA; AQUI ESTÃO OS MEUS TRABALHOS ORIENTADOS POR ELES, COMO RESULTADO DESSA RICA CONVIVÊNCIA.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2021
LANÇAMENTO !!! AS CONSOLAÇÕES DA FILOSOFIA ESPÍRITA !!!!
quinta-feira, 24 de setembro de 2020
O VALOR DA VIDA
Valorizar a vida, não obstante as dores, as dificuldades, os
desafios da existência. Enfrentar com coragem e força de ânimo os problemas que
a vida nos coloca, confiando no amparo de Deus e no auxílio dos Espíritos protetores.
Conta uma lenda, que pais chorosos pediram a Deus que lhes restituíssem
o filho morto. Deus, então, mandou que buscassem em toda a Terra alguém que nunca
tivesse sofrido uma perda, então ele atenderia ao pedido.
Esse sentimento, a “perda”, pode ser sentido em todos os momentos
de transição e mudanças em nossas vidas. Mudança de trabalho profissional sem
ter tido a expectativa de deixá-lo, ou seja, demissões sem justa causa, mudança
de local de residência sem ter planejado, um namoro ou uma relação amorosa rompidos,
a morte de um familiar, a morte de um amigo ou amiga, mudanças políticas no
país que podem gerar problemas em nossas vidas, perdas materiais por eventos de
calamidade pública.
Apenas alguns exemplos, em meio a tantos que podem gerar tristeza,
desânimo, depressão.
Por outro lado, os Espíritos protetores que atuaram na
Codificação com Allan Kardec afirmaram que “não há felicidade sobre a Terra”. Felicidade,
porém, não da forma como interpretamos, pois para nós, seres humanos de um
plano moral de provas e expiações, a felicidade é a satisfação de nossos
desejos materiais, de nossas vontades e caprichos.
E hoje, quando os comerciais de TV e de redes sociais nos
estimulam a um padrão de vida que está além de nossas capacidades, sempre na
ânsia de obter mais, em detrimento de ser melhor do que se foi anteriormente, e
em comparação com outras pessoas, o sentimento de frustração cresce e traz em
seu bojo a infelicidade e a desvalia da vida que se tem.
Essa é uma visão pequena e estreita da Vida que Deus nos concedeu
para que pudéssemos, em nova oportunidade reencarnatória, realizar projetos de
Vida, saldar compromissos, usufruir de momentos felizes com a família e amigos.
Porque a vida é feita de MOMENTOS FELIZES.
Mas vejamos na Codificação e nos autores sérios que respaldam
a Codificação, os motivos pelos quais as pessoas buscam pôr um termo em suas
vidas, já que estamos, no momento desta palestra no mês de setembro, que lembra
as ações contra o suicídio.
Em O Livro dos Espíritos, Livro IV – Capítulo 1, Desgosto
pela Vida – Suicídio, os Espíritos Superiores respondem a Allan Kardec que o
desgosto pela vida, que se apodera de alguns indivíduos, sem motivos
plausíveis, deve-se à ociosidade, à falta de fé, e geralmente da saciedade.
Dizem os Espíritos: “Para aqueles que exercem as suas
faculdades com um fim útil e segundo as suas aptidões naturais, o trabalho nada
tem de árido e a vida se escoa mais rapidamente; suportam as suas vicissitudes
com tanto mais paciência e resignação, quanto mais agem tendo em vista a
felicidade mais sólida e mais durável que os espera.”
Na questão seguinte, de no. 944, Allan Kardec pergunta aos Espíritos
Superiores se o ser humano tem o direito de dispor da própria vida, a que os
Espíritos respondem: “Não, somente Deus tem esse direito. O suicídio voluntário
ou autocídio, é uma transgressão dessa lei.”
Quando Kardec questiona se o suicídio não é sempre voluntário,
os Espíritos acrescentam: “O transtornado mental que se mata não sabe o que faz”.
Essa loucura a que os Espíritos se referem pode ter várias
origens: questões de ordem obsessiva seja psiquiátrica e/ou espiritual, geradas
nesta existência ou oriundas de vidas anteriores.
Ao ímpeto de ceifar a própria existência tendo como causa o
desgosto pela vida, os Espíritos Superiores são enérgicos ao afirmar que o
trabalho pode preencher o vazio existencial.
E é neste ponto que enfatizo as centenas de ONGs que atuam
efetivamente na preservação da vida humana e do meio ambiente, com destaque a Fraternidade
Sem Fronteiras, os Médicos SF, SOS Mata Atlântica, Greenpeace Brasil, WWF
Brasil, Mata Ciliar, mas também os trabalhos voltados a exilados de outros
países e os sem teto em nossa cidade.
Ao trabalharmos a favor da vida do próximo, sua dignidade, o
nosso coração se repleta de bem estar.
À pergunta de Allan Kardec, sobre o que dizer acerca daquelas
pessoas que querem escapar às misérias e decepções deste mundo, os Espíritos
Superiores respondem que Deus ajuda aos que sofrem, que felizes são aqueles que
as suportam sem se queixar, porque serão recompensados.
Isso também vale para a Eutanásia. Allan Kardec abordou esse
tema em O Livro dos Espíritos, e os Espíritos respondem categoricamente que a
ciência poderá trazer lenitivos e até um socorro inesperado no derradeiro
momento.
O Espiritismo admite a Ortotanásia, que consiste em aliviar o
sofrimento de um doente terminal através da suspensão de tratamentos que
prolongam a vida mas não curam nem melhoram a enfermidade. Etimologicamente, a
palavra "ortotanásia" significa "morte correta", onde orto
= certo e thanatos = morte.
Diferente de Distanásia, que prolonga a vida de um paciente
terminal mesmo que não haja mais condições de retorno à saúde.
Em qualquer circunstância, ou situação a Vida é preciosa, ela
nos foi concedida por Deus, como uma grande oportunidade, para buscarmos a
nossa realização pessoal, para vivermos num país belíssimo como é o Brasil, não
obstante as questões sócio-políticas, isso não importa, o que importa é o que
possamos fazer para vivermos bem conosco
e com os outros.
E o que dizer do abuso das paixões? Dizem os Espíritos
Superiores que se trata de um suicídio moral. Há neste caso esquecimento de si
como criatura de Deus, e do próprio Deus.
Em o livro O Céu e o Inferno, Allan Kardec entrevista várias
Espíritos desencarnados em circunstâncias dolorosas, inclusive suicídio
voluntário, em diversas circunstâncias. A literatura mundial consagrou o
suicídio de homens e mulheres em nome do amor, como Shakespeare em Romeu e
Julieta, e Léon Tolstoi em Anna Karenina. Este último, veio a comunicar-se com
a médium brasileira Yvonne do Amaral Pereira, e relatou que seu livro,
publicado em 1877, serviu de estímulo a inúmeros suicídios de mulheres em seu
tempo. Tolstoi voltava assim, à Terra, na condição de Espírito comprometido a
cumprir com o compromisso de valorizar a vida alheia, através de trabalhos de
psicografia com a médium brasileira. Há vários livros dessa rica parceria,
publicados pela FEB-Federação Espírita Brasileira.
No Capítulo II de O Livro dos Espíritos, estes abordam a
filosofia existencialista em seu ramo ateu, quando os Espíritos Superiores
afirmam categoricamente que o Nada não existe.
O Nada foi tema de obras de filósofos da categoria de Friedrich
Nietzsche, Jean Paul Sartre, os atuais franceses Luc Ferry e André Comte-Sponville e o inglês Alain de Botton.
Como que antevendo as circunstâncias que abalariam as crenças
humanas nas religiões, principalmente na Europa, desestabilizada e
desestruturada durante séculos pelas ações de religiosos equivocados e imersos
na sanha pelo poder a todo custo, o Espiritismo surge na aurora do século 20,
poucos anos antes de duas grandes e devastadoras guerras mundiais que abalariam
o espírito de crença e devoção a Deus.
Quando Nietzsche diz, através de seu personagem no livro de
sua autoria Assim Falou Zaratustra, que “Deus está morto”, ele nada mais faz do
que demonstrar a profunda, oculta e
desesperada necessidade que tem de crer no Criador que ele houvera conhecido através
de sua rígida educação religiosa protestante.
A Filosofia Espírita foi a precursora de momentos de grandes
tragédias individuais e coletivas, como a dar um sinal de esperança e consolo a
toda a humanidade dos séculos 20 e 21.
Quanto a Consolo, aquele que nos auxilia a valorar a nossa
existência, este é um tema que filósofos da Antiguidade Clássica chamaram a si,
principalmente da escola estoica romana, como Sêneca, Epiteto, Marco Aurélio, e
Boécio.
Todos viveram vidas desafiadoras, e tiveram final trágico, mas
souberam enfrentar a dor e o sofrimento com coragem.
A expressão “coragem estoica” vem dessa escola filosófica,
que além de outros tópicos não menos importantes, destaca o desprezo pela amargura,
pela consternação, pelo penar e sofrer.
A Filosofia Espírita vem nessa tangente, mas, modifica o
conceito da dor e do sofrimento, dando-lhe um significado terapêutico e
educativo.
Mesmo agora diante de tantos pesares oriundos da pandemia do coronavírus-COVID
19.
A Filosofia Espírita engrandece as provas e desafios da
existência, que colocam o ser humano num patamar de evolução moral mais
abrangente.
Léon Denis, escreveu um livro, “O Problema do Ser, do Destino
e da Dor”, onde desenvolveu seu pensamento sobre o significado da Dor para a
evolução humana. O Espírito Emmanuel abordou esse tema em quase toda a sua
obra.
E já que estamos falando em livros, eu indico o livro de
minha autoria, “As Consolações da Filosofia Espírita- O Consolo do
Conhecimento para uma época em transição”, por enquanto disponibilizado
gratuitamente no nosso portal de estudos, EM BREVE será publicado em formado de
livro pela Solidum Editora.
Eu também fiz uma Live para o Centro Espírita Nosso Lar Casas
André Luiz, que está no www.facebook.com/centroespiritanossolar
, disponível para todos.
O Valor da Vida caminha juntamente com aceitação,
entendimento, compreensão, e esperança, muita esperança na Vida e muita
confiança em Deus, nas suas Leis Divinas, nos Espíritos protetores que estão ao
nosso lado.
Sonia Theodoro da Silva, filósofa e escritora
BIBLIOGRAFIA:
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec
As Consolações da Filosofia Espírita – O Consolo do
Conhecimento para uma época em Transição, Sonia Theodoro da Silva
sábado, 28 de março de 2015
A CRISE DE SENTIDO NO SÉCULO XXI
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
TEMPO...
Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão pra qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente...
sábado, 23 de agosto de 2014
segunda-feira, 23 de junho de 2014
O MEU (AMADO) PAÍS
sábado, 21 de dezembro de 2013
FELIZ NATAL COM JESUS DE NAZARÉ!!!
ELE NÃO FOI UM FILÓSOFO, NÃO SE ENCAMINHOU ÀS CÁTEDRAS DO CONHECIMENTO LITERAL... NÃO SE PREOCUPOU COM AS ILAÇÕES DO PENSAMENTO... JAMAIS SE COLOCOU ENTRE OS GRANDES DO MUNDO, ENTRE OS DE GRANDE INTELIGÊNCIA OU SABER, ENTRE OS DETENTORES DO PODER TEMPORAL.
JESUS NASCEU E VIVEU NA SIMPLICIDADE ... ENSINOU OS VALORES DO ESPÍRITO, A HONORABILIDADE DA ALMA E A NOBREZA DO AGIR... SUA PRESENÇA FOI TÃO MARCANTE QUE O TRANSFORMARAM EM DIVINDADE.. FOI QUANDO ELE SE AFASTOU DE NÓS... HOJE, QUANDO OS HOMENS SOFREM E CHORAM EM MEIO ÀS TRAGÉDIAS DO COTIDIANO PORÉM EM MEIO TAMBÉM AS REALIZAÇÕES PERENES, ELE RESSURGE EM PLENITUDE, EM SABEDORIA E EM AMOR ... PRESTEMOS ATENÇÃO ÀS SUAS PALAVRAS, AOS SEUS ENSINOS, À SUA LUZ...
sexta-feira, 21 de junho de 2013
quarta-feira, 22 de maio de 2013
ODE À ALEGRIA
![]() |
| Ludwig Van Beethoven |
quarta-feira, 24 de abril de 2013
ÉTICA MODERNA (KANT)
![]() |
| Cena do filme, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles, vencedor do Globo de Ouro |
Bibliografia:
http://www.assistironlinefilmes.com.br/assistir-online-filme-o-jardineiro-fiel.html#
terça-feira, 12 de março de 2013
Reflexões sobre ESTOICISMO E CRISTIANISMO

Segunda a ética estóica, tudo o que existe na natureza é dotado de um Lógos (razão) que a governa. É no contexto do Império Romano, mais precisamente no final da Idade Antiga (no próprio período helenístico) que surge o Cristianismo e este vai dizer que tudo o que há no universo, inclusive o homem, é portador de Lógos e este Lógos é Deus.
A partir desta aparente relação com o estoicismo, elabore um texto dissertativo, explicando até que ponto as idéias do Cristianismo eram originais.
O estoicismo trouxe a ideia de que tudo na Natureza é governada pela razão (Lógos). “Essa razão pode ser chamada de alma do mundo ou mesmo de Deus. Tudo existe e acontece segundo uma predeterminação rigorosa. Concebida desta forma, a natureza é, em si mesma, justa e divina” (UNISUL LD, pg. 196). “Viver em conformidade com a razão torna o homem feliz, porque o liberta da escavidão das paixões. O sábio é aquele que não se deixa enganar pelos prazeres, nem se deixa modificar pela dor.” (ibidem, pg.197). Seguindo esse raciocínio, podemos encontrar no próprio Evangelho Segundo São João a assertiva de que Jesus é o Lógos, o Verbo encarnado, aquele que vem ao mundo para salvar os homens de seus pecados.
Jesus, em sua encarnação na Terra é o princípio divino a partir do qual Deus opera no mundo. Esta é a ideia de que o Lógos discutido pela Filosofia Antiga vai tomar um novo perfil, na pessoa da encarnação do Deus cristão.
Immanuel Kant, pensador da Idade Moderna, ao se referir a Idade Média diz que a mesma é o período da menoridade intelectual. Entretanto, a partir dos dados levantados pela pesquisa histórica, esta tese não alcança mais consenso. Porque desta afirmação?
Longe de ser um período “das trevas” do pensamento, a Idade Média é considerada, numa analogia de Dilthey, como um caldeirão onde ferviam as ideias; o século IV, na baixa Idade Média, floresceu em Alexandria uma das mais importantes escolas do pensamento, o neo-platonismo, de onde surgiram, de seus seguidores, uma das quais Hypatia, os primeiros momentos de uma ciência desprovida de misticismo. Embora os embates entre religiões, muito comum naquela época, as ideias adentraram os séculos posteriores, e mais precisamente no século XII, com Pedro Abelardo, e suas discussões sobre a Trindade, opondo a razão em confronto ao dogma, vão criar as sementes posteriores à análise de René Descartes. Na Escolástica medieval há o desenvolvimento do Humanismo, ou estudos humanísticos, “o que equivalia à atualização, dinamização e revitalização dos estudos tradicionais que incluíam a poesia, a filosofia, a história, a matemática e a eloquência.” (UNISUL, LD, pg.133).
Em diversas passagens do Livro Didático, você se deparou com a expressão: filosofia cristã. A temática central desta filosofia será o embate entre razão e fé:
a) Em que consiste este embate?
b) Das duas principais escolas filosóficas da Idade Média, a Patrística e a Escolástica, qual logrou maior sucesso na tentativa de conciliação entre fé e razão e por quê?
a) O embate entre fé e razão na verdade inicia-se já na Grécia Antiga, com a busca do arkhé de todas as coisas não no Monte Olimpo com as divindades mas na própria Natureza, ela mesma fornecedora dos elementos que constituem a criação. Com Sócrates, a discussão se amplia, pois o homem devia buscar nele mesmo as respostas às suas mais intrínsecas indagações, muito embora soubesse que não as tinha todas. Essa discussão se amplia, já no século IV d.C., entre as diversas seitas que existiam no mundo antigo, em confronto com o mundo pagão, mormente em Alexandria (UNISUL, LD, pg. 25). Longe de haver terminado, Fé e Razão continuaram a enfrentar-se no período medieval, com Pedro Abelardo, na Renascença com Descartes, havendo a cisão entre ciência e religião, gerando em nossos dias as modalidades criacionistas e evolucionistas, estas últimas aceitando a Teoria da Evolução das Espécies de Charles Darwin.
b) A Patrística surge num momento histórico de grande influência grega sobre o mundo. Grande parte dos pensadores deste período teve formação na cultura helênico-romana, o que fez com que fossem estabelecidos vínculos de continuidade entre a filosofia grega e o pensamento Cristão. Agostinho é o maior dentre eles, com as tentativas de conciliação do cristianismo com a filosofia platônica. A Escolástica por sua vez, com início propriamente dito no século XI, também teve seu período significativo com Pedro Abelardo. São Tomás de Aquino tenta a conciliação com a filosofia de Aristóteles para a formação da Teologia católica, com sua Suma Teológica.
(Orientador: prof. João Buss)
Sobre MEDITAÇÕES de René Descartes

Esta atividade envolve a leitura e interpretação de um trecho de uma tese de doutorado sobre Teoria do conhecimento e Ceticismo. O texto se relaciona a dois assuntos que você estudou em seu livro didático:
- Os argumentos céticos de Descartes acerca da dúvida sobre a existência do mundo exterior.
- A filosofia da linguagem comum de John Austin.
(Texto de Austin e a noção de alternativas relevantes, escrito por Flavio Williges em sua tese de doutorado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul): análise da atitude de Austin em relação à filosofia cartesiana e que se refere ao “cenário cético” presente nas Meditações de René Descartes.
PRIMEIRA ARGUMENTAÇÃO
A primeira argumentação cartesiana está presente na análise do sonho: no parágrafo quarto da primeira Meditação, o filósofo analisa a inquestionabilidade de seus sentidos com relação ao lugar em que está, as roupas que usa, o papel entre as mãos, o corpo vestido com um roupão: “Como é que eu poderia negar que estas mãos e este corpo sejam meus?”(DESCARTES, 2005); a seguir, no parágrafo quinto, aventa a possibilidade de que essa percepção do todo em si e em derredor de si possa ser parte de um sonho: “sou homem, costumo dormir e em meus sonhos as situações em que me encontro parecem muito reais, embora depois, acordado, saiba tudo não passar de sonho; logo, o que garantirá que não durmo neste momento?” (SANTIAGO, 2005) Seria o sonho semelhante a uma pintura onde o real e o verdadeiro se confundem? Pois as pinturas só podem ser formadas à semelhança de algo que seja verdadeiro, portanto, os membros de um corpo são reais, palpáveis, existentes, salvo se a imaginação fosse suficientemente “extravagante para inventar algo de tão novo que jamais sonhamos visto nada de semelhante, e que assim sua obra nos represente uma coisa puramente fingida” (DESCARTES, 2005).
Com este argumento, Descartes deve chegar “à dúvida sobre a falibilidade do conhecimento sensível” (TARGA, 2011).
SEGUNDA ARGUMENTAÇÃO
“Com o argumento do sonho Descartes elimina a certeza dos hábitos e a validade do senso comum como referências para um conhecimento absolutamente seguro.” (TARGA, 2011). Porém, mesmo que duvidemos da existência efetiva das percepções ambiente: o próprio corpo, local, objetos em derredor, sensações físicas de quente ou frio, ou seja, do conhecimento sensível, há a necessidade de existir uma matriz dessas representações visualizadas no sonho; uma matriz abstrata que represente a ordem que percebemos nelas. No parágrafo oitavo das “Meditações”, Descartes diz da sua opinião de que existe um deus, que tudo pode e por quem ele foi criado e é como se apresenta. As verdades matemáticas, exemplo dessa ordem abstrata, pois são inquestionáveis, estariam sob a égide desse deus, livre para alterar o cenário de suas percepções, um ser que enganasse até a percepção dessa matriz, tornando-a invalidada por sua ação: o deus enganador ou gênio maligno, pondo em dúvida essas verdades. O filósofo chega aqui ao ponto máximo da dúvida, “intentando ir mais além do que os próprios céticos, e assim poder tolhê-las todas de vez.” (SANTIAGO, 2005)
TERCEIRA ARGUMENTAÇÃO
A terceira argumentação, com base na existência do gênio maligno ou deus enganador, pretende “por em dúvida todas as classes de conhecimentos preestabelecidos”, chegando ao “grau máximo da dúvida” (TARGA, 2011), onde a realidade do mundo exterior é questionada ( a dúvida hiperbólica).
As reflexões de Austin sobre os problemas céticos geralmente são classificadas como uma filosofia do senso comum. Explique porque e cite uma passagem do texto que justifique a sua resposta.
Uma das teses importantes defendidas por Austin é a de que, na “História da Filosofia, os confrontos entre as teses filosóficas e as crenças populares são causados pela incompreensão de uma liguagem comum” (UNISUL, 2011). Austin ainda vai desenvolver suas argumentações a favor de um trabalho sobre a linguagem, e contra a dúvida cética a partir dos conhecimentos do senso comum e dos fatos comuns. Não se trata de reduzir as análises filosóficas às opiniões sem fundamento no conhecimento, como “crer que...” ou “ouvir dizer que..”, mas dos fatos e eventos que normalmente ocorrem no cotidiano e que postulam um questionamento de saber.
No primeiro parágrafo da tese de Williges, citando Kaplan, fica claro a intenção de Austin de avaliar os argumentos filosóficos conforme as práticas ordinárias humanas, já que tais práticas trazem “consequências importantes para o tratamento dos problemas filosóficos, particularmente do conceito de conhecimento. (...) Austin reconhece que, por mais cuidadosa que seja nossa tentativa de fazer asserções que tenham como alvo a verdade, sempre será possível localizar deficiências e juízos terão de ser refeitos.” (WILLIGES, 2009). Mas é justamente aí que reside o fundamento da verdade, pois “sempre será possível localizar deficiências e juízos terão que ser refeitos. (...) o saber é um empreendimento de risco.” (WILLIGES, 2009). Contudo, com essa argumentação não se invalida o processo de desenvolvimento do conhecimento. Ao contrário, ele é fonte de busca perene.
-excelente trabalho de interpretação textual. (Orientador: prof.Dante C. Targa)
A Busca do Existir e A Dúvida como Princípio fundamental

(DISCIPLINA: ONTOLOGIA I)
A BUSCA DO EXISTIR
(M. P. Silva – 04/02/2011)
“[...] Tantas teorias e tanto a estudar, que esquecemos de sentir. Sentir o que está em nossa volta. Sentir quando acordamos de manhã cedo, bem cedo, e lá está um ar diferente, uma respiração pura, mesmo com o céu nublado. Mas se o céu está limpo, o sol está calmo e podemos sentir esse calor penetrando levemente a pele, na temperatura certa para aquecer sem fogo, mas suficiente para renovar as forças. Sentir o vento suave, mais brisa do que fúria, ele refresca e de tão calmo nos envolve até a sonolência. E se chove, ah se chove. Sentimos os pingos caírem sobre a pele, que molhada e alvoroçada arrepia os pelos do corpo e a pele toda parece estar em camada desgrudada do restante do corpo, sentimos como se naqueles instantes estivéssemos lavando a alma [...]”. Fonte: WEBARTIGOS.COM. A BUSCA DO EXISTIR. Disponível em: http://www.webartigos.com/articles/57822/1/A-BUSCA-DO-EXISTIR/pagina1.html#ixzz1EykS5I6q. Acesso em: 15 jun. 2011.
Este texto explora o sentir como algo esquecido diante de tantas teorias. Sendo assim, analise o texto e, construa um argumento que valorize os sentidos e a percepção como capacidades humanas fundamentais para o existir humano e, assim, para o dar sentido às coisas que existem.
Poderíamos perguntar se o real é o que é constatável pelos sentidos ou o que é demonstrável pela razão? Segundo Parmênides os sentidos enganam pois nada é constatável por eles, senão a multiplicidade dos corpos. Segundo o filósofo, os atributos do ser não podem ser encontrados por via experimental ou sensorial, mas deduzidos com coerência lógica do próprio conceito de ser (NICOLA, 2002). Na Alegoria da Caverna, Platão pretende demonstrar que as sombras projetadas na caverna, perceptíveis pelos sentidos (mundo sensível), tornam a realidade embotada e sem significado do real, que está fora das restrições da caverna (mundo inteligível). Platão ainda diz que por meio dos nossos sentidos “não somos capazes de captar os seres como de fato são, sendo apenas imagens distorcidas do verdadeiro ser” (Apostila Unisul, pg.77). Com o advento do psicologismo, do romantismo e do existencialismo, os sentidos e a percepção passaram a ser instrumentos eficazes para a captação do real, somados à razão. Porém, não podemos esquecer que tanto os sentidos quanto a percepção das coisas, do mundo em que vivemos, dos seres à nossa volta, dá-nos o encanto do existir; são o contributo necessário à nossa felicidade, embora saibamos ser ela – a felicidade - igualmente relativa, pois que circunscrita ao modo de cada ser.
Apologia de Sócrates
“[...] pus-me a considerar, de mim para mim, que eu sou mais sábio do que esse homem, pois que, ao contrário, nenhum de nós sabe nada de belo e bom, mas aquele homem acredita saber alguma coisa, sem sabê-la, enquanto eu, como não sei nada, também estou certo de não saber. Parece, pois, que eu seja mais sábio do que ele, nisso - ainda que seja pouca coisa: não acredito saber aquilo que não sei [...]”. Fonte: DOMÍNIO PÚBLICO. APOLOGIA DE SÓCRATES. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=2296 . Acesso em: 15 jun. 2011.
Este trecho atribuído a Sócrates explora uma atitude filosófica diante das coisas que existem. Desta forma, analise o texto e, construa um argumento que valorize a dúvida como procedimento fundamental para conhecer o que há.
Na sua argumentação explore a racionalidade como categoria fundamental para as reflexões ontológicas.
Princípio investigativo socrático, a dúvida, juntamente com a humildade, faculta-nos, segundo o filósofo, a possibilidade de desenvolver o conhecimento, sem os laivos da vaidade que bloqueia, ou da opinião (doxa) que personaliza a percepção do real.
As suas perguntas, começando com “O que é...?” descarta a possibilidade de mascararmos a realidade, tal como ela se apresenta, livre das percepções pessoais e exclusivistas de cada ser.
É possível conhecer? É possível conhecer o homem? Sócrates investiga incansavelmente a realidade e o ser, como um “parteiro” das idéias, fazendo brotar do raciocínio humano, a Verdade, embora difícil de ser enfrentada, embora seja ela própria fruto do momento em que é descoberta.
Seu discípulo Platão aprofunda o conceito mais tarde, projetando esse sentido na Alegoria da caverna. O contributo de Sócrates para o direcionamento correto da razão, como um caminho árduo, porém suave, porque reflexivo, dá-nos a certeza de existirmos, com todos os atributos parmenídicos, ressalvados, porém, e sempre, a faculdade do devir.
(ORIENTADOR: prof. Leandro K.Pacheco)
Mito Escatológico, ou mito da Catástrofe ou ainda mito do fim do mundo

(Michelângelo: Afresco Capela Sixtina, "O último Julgamento")
(DISCIPLINA: FILOSOFIA DA RELIGIÃO)
O Mito Escatológico está presente em todas as culturas orientais desde a antiguidade e mais recentemente no Ocidente e nas Américas (mito Maia da Catástrofe do ano 2012). Presente em outro Mito, o do Grande Dilúvio, ao contrário deste último, que visa a renovação da humanidade, em seus conceitos e postura diante da vida a partir da tragédia da morte e da perda, o Mito Escatológico subentende que o próprio planeta está em seus estertores finais, através de manifestações da natureza como tsunamis e terremotos, na passagem dos milênios pela contagem do Calendário gregoriano, além de anunciar guerras fulminantes, como a tão propalada 3ª. guerra mundial, com utilização de bombas pelos humanos. Escatologia, do grego "éskhatos", último, e "lógos", conhecimento (http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx?pal=escatologia) PortanTo, "escatologia" é o estudo das últimas coisas, dos acontecimentos do fim dos tempos, do fim do mundo e da humanidade.
As principais características do mito escatológico trazem em seu bojo, conforme Eliade (UNISUL, pg.59), o sobrenatural agindo sobre os humanos provocando cataclismos definitivos; tal mito é sagrado, pois sugere a insatisfação de Deus pelas atitudes humanas. Em WILKINSON & PHILIP (2007, pg.30), o mito escatológico surge em todo o mundo, nas culturas primitivas tribais que sobrevivem até hoje e falam de catástrofes mundiais passadas e aviso de outras futuras; para o criador, “cada ciclo da história humana não passa de um dia, e todas as esperanças e sonhos de vida eterna dos homens duram apenas até o surgir da noite, quando o universo ruirá sobre si mesmo e retornará à pureza da inexistência primeira.” Em diversos conceitos como o hindu, o egípcio e as lendas dos deuses nórdicos de que o mundo acabará sob um desastre universal, ainda trazem a esperança da sobrevivência de alguns poucos que repovoarão e reconstruirão a Terra sob outras bases, tal como a lenda da Arca de Noé ou o mito do dilúvio, que se repetem na África, na Índia, e na Grécia Antiga com Deucalião e Pirra.
Na mitologia de índios norte-americanos este mundo, o quarto de uma série de sete, está agora entrando em seu “termo final”. O quinto mundo que o substituirá já está emergindo e os seus sinais já são visíveis por todos os lados (WILKINSON & PHILIP, 2007).
Interessante notar que, tal como os demais mitos, o mito da catástrofe também surge durante a expansão das culturas da Era do Eixo de Jaspers (UNISUL, pg.66), o que denota uma visão cultural individual e específica de cada cultura mas ao mesmo tempo coletiva; os cultos religiosos se assemelham, o monoteísmo toma seu lugar.
“Também ouvireis falar de guerras e rumores de guerras... mas ainda não será o fim... pois ver-se-á povo levantar-se contra povo e reino contra reino...haverá pestes, fome, tremores de terra ...serão apenas o começo das dores. (Mateus 24, 6:8) . (...) Quando virdes que a abominação da desolação, que foi predita pelo profeta Daniel, está no lugar santo, fujam então para as montanhas os que estiverem na Judéia.” (Mateus 24, 15:22).
O Evangelho de S. Mateus, em seu capítulo 24 acima citado diz respeito ao Sermão Escatológico de Jesus. Igualmente no Evangelho de S. João, predições são feitas com relação a um momento pelos quais toda a humanidade teria que atravessar, como resultante de seus atos, atitudes, pensamentos. É como se Jesus e os evangelistas estivessem alertando aos homens com as consequências trágicas que poderiam advir de seus atos impensados, ou egoístas ao extremo.
Este “clima” de final dos tempos também tomou conta dos espaços midiáticos. Em nosso LD (UNISUL, pg. 61) é citado Gusdorf que menciona o cinema na modernidade como um poderoso instrumento de expansão dos mitos. Para o mito da catástrofe ou escatológico, o cinema tem produzido inúmeros exemplos: 2012, Eu sou a Lenda, O Livro de Davi, etc. Neste último, a história gira em torno do sagrado e do profano. Aquele que for o portador do último livro da última edição da Bíblia que foi salva pelo personagem principal, terá todo o poder sobre um mundo devastado pela guerra nuclear e pela violência.
Analisando os mitos escatológicos e até os Evangelhos, podemos notar, contudo, que todos trazem uma visão não de destruição total, porém de transformação severa e profunda e necessária dos conceitos que norteiam a cultura humana até o momento. Com relação, por exemplo, às mudanças climáticas, a interferência humana se dá de forma contundente e grave, já que as consequências advindas desse processo já estão repercutindo sobre o planeta. A Natureza tem suas regras e leis – caso o homem não as respeite sofrerá por seu descaso e displicência.
O mito da catástrofe nos remete a repensar os códigos de ética que vimos utilizando até o momento, pois com base em interesses pessoais, particularistas e subalternos. A moral religiosa, bem como aquela presente nos mitos antigos nos falam de respeito à Vida como um todo. Repensar uma nova ética, um novo paradigma, é o que muitos já fazem – e o que todos precisamos e devemos fazer.
Comentário:Parabéns, SONIA THEODORO DA SILVA, pela escolha e análise do tema dos mitos com viés escatológicos em várias culturas mostrando sua importância de conteúdo reflexivo inspira gerações na elaboração de sentidos para o viver e o conviver cotidiano de muitos povos com foco na esperança. Especialmente em situações de crise.
Você também foi feliz na avaliação dos pontos essenciais de valoração das sabedorias mitológicas usando uma visão de justa medida e dialogando com autores específicos de nosso LD e outras fontes.
Sugiro incluir o termo gênero apocalíptico sinônimo de escatológico e que exige a prospectiva do novo, renovação, inovação e esperança.
Quanto à forma, você se mostrou sintética, clara e com estilo crítico-sereno. Foi importante você citar as fontes consultadas de forma científica como suporte de suas reflexões incluindo os autores do LD.
Você também faz cuidadosa correção e revisão do texto, já que escreve bem.
É preciso reconhecer também que em seu filosofar valoriza a linguagem mitológica no ontem e nas perspectivas atuais.
Também deixou clara a responsabilidade dos filósofos em relação ao fenômeno do sagrado em seu próprio exercício pessoal do filosofar criterioso. Sugiro elaboração em feitio de artigo a ser publicado no Jornal UnisulHoje.
Desejo-lhe o melhor,Parabéns mais uma vez e abraços de prof. Jaci Gonçalves.
(ORIENTADOR: prof. Jaci R. Gonçalves)
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
TEMPO (Carlos Drummond de Andrade)

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão pra qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente...
Para você,
Desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.
Para você,
Desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.
Para você neste Ano Novo ,
Desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
Que sua família seja mais unida,
Que sua vida seja mais bem vivida,
Gostaria de lhe desejar tantas coisas,
Mas nada seria suficiente...
Então ,desejo apenas que você tenha muitos desejos,
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto ao rumo da sua Felicidade!!!
Carlos Drummond de Andrade
Que Deus abençoe os dias que virão, que sejam plenos de Paz e prósperos de Esperança e de Realizações
Sonia
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
O GUARDADOR DE REBANHOS (Fernando Pessoa)
(...) Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
(...)
Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales,
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos,
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
...................................
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu no colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
.......................................
Esta é a história do meu Menino Jesus,
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?
08-03-1914
QUE O MESTRE DA PAZ E DA VIDA ESTEJA PRESENTE EM SEU NATAL!!
domingo, 23 de setembro de 2012
A PRIMAVERA CHEGOU!!
E com ela, as nossas esperanças se reavivam... é a Natureza a demonstrar que a vida, não obstante os empeços, as dificuldades, as tormentas, as tempestades, sempre trará de volta o sol, as flores, os campos, a brisa suave, a chuva refrescante, os ventos que limpam e renovam o ar...
Vamos continuar, com os compromissos assumidos, com os estudos aprofundados que libertam a nossa consciência, com o exercício da vida boa, da vida ética, do respeito ao outro, e à bela, magnífica Natureza que nos acolhe com sua beleza, dizemos, plenos de Vida e de Esperanças:
BEM-VINDA, PRIMAVERA!
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
(cont.) Reflexões sobre o Renascimento, o Humanismo e o prelúdio da Filosofia Moderna
Durante o Renascimento, houve nos mais variados campos do conhecimento, um renovado interesse nas obras literárias, filosóficas, históricas e de artes plásticas produzidas pelos gregos e pelos romanos na Antiguidade. Além disto, o conhecimento daquele período serviu como modelo inspiração para artistas famosos que desta forma expressam sua admiração pelas realizações dos antigos. Um exemplo é a obra a “Escola de Atenas”, afresco pintado por Rafael Sanzio, entre 1509 a 1510; cm base nos dados apresentados, faça uma pesquisa sobre o quadro em fontes de notória cientificidade e aponte que pensadores são representados no centro do afresco. Feito isto, explique qual papel eles tiveram na filosofia do Renascimento.
No centro do afresco estão em pé Platão (427-347 a.C.), com sua obra Timeu nas mãos, e apontando com um dos dedos da mão direita para cima, gesto que representa a teoria das ideias, abstratas e intangíveis; ao seu lado, Aristóteles (384-322 a.C.), seu discípulo, com a mão direita num gestual em direção à terra, representando a percepção pelos sentidos, traz na mão esquerda o seu livro Ética a Nicômaco.
Fonte de Pesquisa : http://www.dm.ufscar.br/hp/hp902/hp902001/hp902001.html
“Rafael Sanzio foi sábio ao colocar no centro as figuras de Platão e Aristóteles já que ambos de certo modo monopolizam a Filosofia Antiga. Platão segurando o Timeu procura explicar o surgimento do mundo fugindo da explicação mítica. Umas das grandes marcas do pensamento platônico é o contraponto entre o mundo real (imperfeito, mutável) e o mundo inteligível (perfeito, eterno e absoluto, simbolizado pelo sol na Alegoria da Caverna e fonte da verdade, da justiça, das essências, etc...),acessível pela razão. Por isso Platão aparece apontando para o alto. Já Aristóteles, seu discípulo, segura a Ética a Nicômaco e tem a mão na horizontal, representando o terrestre, o mundo sensível e passível de ser conhecido e apreendido pela experiência, pela observação do real, etc. Além disso o mundo justo perseguido por Aristóteles passa pela prática do justo-meio, do equilíbrio e este passa pelas relações humanas.” (João José Buss)
A predominância do pensamento platônico na Renascença vem desde a Antiguidade, contudo a influência de Aristóteles naquele período ainda não foi totalmente avaliada dada a falta de dados que comprovem o alcance de tal influência (TARGA et al., 2011). O Humanismo propiciou o estudo mais abrangente da antiguidade grega e latina, que passaram a ser modelos ideais para os humanistas, que, em sua maioria, “conheciam os clássicos antigos e se formaram dentro da tradição de valorização do pensamento e Aristóteles, (...) predominante nas universidades da época, em que o ensino da filosofia escolástica perdurou até meados do século XVI”(ibidem). No Trecento, foi com Petrarca, considerado o pai do Humanismo que a educação toma novos ares, saindo do método quaestio para o estudo das humanae litterae, preconizando o que, em seu entendimento, era o mais importante, o conhecimento de si, que somente as disciplinas que promovessem conhecimentos, métodos e habilidades intelectuais, como a retórica, a oratória e o estudo das obras clássicas poderiam incentivar. Nota-se aí uma grande influência socrático-platonica.
A partir do século XV e XVI, o florescimento da magia – as coisas possuíam poderes ocultos – o trabalhos dos tradutores, como Marcílio Ficino, com sua abordagem platônica, plotiniana, bem como as tradições neoplatonica e neopitagórica influenciam as pesquisas sobre textos considerados herméticos e de procedência antiga, como os Oráculos Caldeus, e Hinos Órficos, por sua vez procedentes de uma antiga tradição órfica e que teria influenciado Platão e Pitágoras, posteriormente descobertos como sendo do helenismo tardio.
Na Itália, o interesse por Platão e pelos neoplatonistas como autores clássicos predomina sem contudo desprezar-se a influência escolástica sob a base de Aristóteles. A Academia de Florença conhecida como academia platônica reunia, sob a direção de Cosme de Médici escritores, filósofos, músicos e posteriormente artistas das artes plásticas, com especial interesse no mundo antigo.
A presença de Nicolau de Cusa, compreende neste período o lado da religião, que busca nos escritos platônicos, respaldo para o resgate da consciência cristã.
Segundo TARGA, “o filósofo mais discutido e influente no período renascentista foi Platão” (ibidem), considerando, segundo Kristeller, que Aristóteles, associado às estruturas da idade Média, por isso repudiado pelos Humanistas.
A discussão não se encerrou – a influência de ambos, Platão e Aristóteles predomina até os nossos dias; permanecemos todos sentados aos seus pés, como os demais pensadores analogicamente postados na pintura de Rafael, aguardando, na Escola de Atenas, que o seu pronunciamento se faça, e delibere sobre os tempos atuais, tão carentes de aprofundamento, quanto de ética.
Tivemos, como civilização, uma grande história, uma grande jornada até o momento. Fica a pergunta: o que nos impede de alavancar o Conhecimento em profundidade, em detrimento da vulgaridade de superfície que aparece em abundância?
(Disciplina: História da Filosofia III - prof. João J.Buss)











