sábado, 28 de março de 2015

A CRISE DE SENTIDO NO SÉCULO XXI



(Trabalho Acadêmico para a disciplina  de Ética Contemporânea)
Autora: Sonia Theodoro da Silva
Desde inícios do século XX, com o advento das escolas existencialistas motivado pela revolução industrial na sequência das guerras de independência dos EUA bem como a Revolução Francesa no século XVIII, e as duas grandes guerras mundiais de 1914 e 1939, a Europa entra no período do vazio existencial, que se amplia em nossos dias em direção à pós-modernidade ou modernidade líquida, como quer Zygmunt Baumann.

No campo religioso, a principal religião cristã, com seus quase 2 bilhões e meio de seguidores, também vive a sua mais grave crise institucional, com grande parte de seu clero preso a um sistema arcaico e imutável, quando não portador de comportamento desviante dos objetivos evangélicos, embora os esforços do Concílio Vaticano II, de seus Papas liberais, como o atual Papa Francisco, pastor de almas acima de qualquer suspeita de burocracia clerical.

Os centros de educação mundiais mas principalmente no Brasil, também vivem suas crises, com seus sistemas educacionais inócuos que informam mas não educam, no vero sentido da Educação.
Por sua vez, as artes concentradas na representação do vazio ou, como no caso do cinema, trabalham a distopia e a fantasia de heróis míticos fantasiados de super-heróis tão irreais quanto a violência que carregam consigo, numa proposta de reação catártica a um público sem senso crítico.

Em Seminário de São Paulo, em 1994 (Gonçalves & Iunskovski, 2011), discutiu-se a crise das produtoras de sentido no mundo, como as já citadas acima bem como as focadas na mídia e outros centros de poder. Entre todos os debatedores, José Guilherme Magnani mostrou em pesquisa que na cidade de São Paulo havia uma rede de trocas de sentido, que a magia continuava vigente nos sistemas simbólicos que ofereciam alternativas de sentido.
Hoje, com pouca diferença, já que a religião católica teve um boom de frequentadores e adeptos principalmente no Brasil após a Jornada para a Juventude com a presença do Papa Francisco no Rio de Janeiro em 2013, essa “magia” se desloca para os cultos  religiosos, na busca incessante pela comunhão com o sagrado, visto que a vida profana ou temporal continua repleta de desafios, violência, crises existenciais, políticas e sociais.

As chamadas seitas portadoras de teologia da prosperidade buscam preencher o vácuo de realizações profissionais e o desemprego com a promessa de que Deus poderá abrir caminhos aos seguidores desde que se engajem nas propostas “comerciais” dessa teologia.
Nesse contexto, a ética, pouco desenvolvida pela mídia patrocinada por produtos que visam alcançar vendas astronomicas, por isso a exploração de temas ditos polêmicos em busca dessa audiência, bem como os escândalos políticos vigentes em nosso país, praticamente inexiste, foi obscurecida pela onda de descrença e de falta de objetividade. Todos sofrem as consequências dos escândalos patrocinados pela corrupção antiga e atual, todos exprimem esse sentimento de “estar farto de alguma coisa”, desde o desmatamento inequívoco e diário da Amazonia, até a avassaladora ganância de políticos frente ao herário público.

A crise institucional como um todo reflete a crise existencial na qual hoje o indivíduo se coloca, como um ser que nada espera já que a ética deixou de pautar, em sua maior parte, o comportamento dos produtores de sentido, e a moral deixou de regular o comportamento do sujeito dela portador. 
De tal forma a crise ética enfrenta um vazio condutor e norteador no dizer de Kant, que não houve questionamentos quanto ao comportamento de total ausência de ética e moral do jornal Charlie Ebdo que se achava – e acha – portador do facho da Liberdade, como se ela, a liberdade para ser válida devesse exprimir a total ausência de ética no trato com as religiões, extremistas  ou não, no trato para com a mulher, bem como as instituições que formam a nossa  sociedade. Poucos reconheceram o fundamentalismo da pseudo-liberdade preconizada pelo dito jornal que tornou-se vítima de seu próprio extremismo, esquecendo-se que liberdade é fundamental, desde que vivida e pregada com ética.

Segundo Marcondes (Marcondes, 2007), em Kant a razão prática pressupõe uma crença em Deus, na liberdade e na imortalidade da alma, que funcionam “como ideais ou princípios regulativos. A crença em Deus é o que possibilita o supremo bem, recompensar a virtude com a felicidade. A imortalidade da alma é necessária, já que neste mundo virtude e felicidade não coincidem, e a liberdade é um pressuposto do imperativo categórico, libertando-nos de nossas inclinações e desejos, uma vez que o dever supõe o poder fazer algo.”

Em A República, Platão revela que o que está em jogo na alegoria da caverna é a liberdade das correntes da ignorância e da ausência de comportamentos não indutores do marasmo moral.
Hoje como ontem, torna-se necessário ao sujeito analisar profundamente a sua época, e buscar alternativas de vivência ética e moral, em todos os setores da vida, nas instituições que caracterizam a nossa sociedade, bem como no comportamento que norteia as nossas relações na família e na sociedade como um todo.
Estamos em época de transição de uma sociedade desprovida de motivações éticas para uma sociedade onde o respeito à Vida, sob qualquer forma manifestada possa preencher o vazio que ora ocupa a vida de relação. Sem isso continuaremos ampliando a era do vazio instalada há mais de um século e que se perpetua até os nossos dias, e alcança a nossa vida de relação social bem como familiar. 

Fontes:
Modernidade Líquida, Zygmunt Baumann, ed Zahar, 2000.
L’Osservatore Romano, janeiro, 2015.
LD Experiência do Sagrado e Religião, U V, 2011.
Iniciação à História da Filosofia, Danilo Marcondes, ed. Zahar, 2007.
Ética Clássica, LD U V, 2008.
Ética Moderna, LD U V, 2011.

Pensamento Ético Contemporâneo, Jacqueline Russ, ed.Paulus, 2011

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

TEMPO...


Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão pra qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente... 

Para você, desejo o sonho realizado. O amor esperado. A esperança renovada.

Para você, desejo todas as cores desta vida. Todas as alegrias que puder sorrir. Todas as músicas que puder emocionar.

Para você neste Ano Novo, desejo que os amigos sejam mais cúmplices, que sua família seja mais unida, que sua vida seja mais bem vivida.

Gostaria de lhe desejar tantas coisas, mas nada seria suficiente...

Então ,desejo apenas que você tenha muitos desejos, desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto ao rumo da sua Felicidade!!!
(Carlos Drummond de Andrade)

Que Deus abençoe os dias que virão, que sejam plenos de Paz e prósperos de Esperança e de Realizações!

 Sonia Theodoro da Silva - dezembro 2014

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O MEU (AMADO) PAÍS




 Coração do mundo ... pátria do Evangelho ... Há quem veja privilégios nestas palavras... muitos julgaram ou julgam que o Brasil é a nova terra prometida e que nós, brasileiros, o povo escolhido para abrigar os novos tempos.  Na verdade fomos todos reunidos, por afinidade, trânsfugas morais, delinquentes da ética, portadores de emoções desvirtuadas, de todos os tempos, de todos os lugares da Terra, de todas as crenças e filosofias, de todas as posições sociais, de todas as sociedades, de todas as culturas, em um só lugar...     

Brasil... de costas imensas, de largas e extensas praias, de selvas verdes e matas densas, de  mares verdes e de aves multi coloridas, de felinos belos e serenos; do boto que se confunde com o rapaz bonito da lenda criança; da pantera, da onça, do tucano e do papagaio; do mico leão dourado e das borboletas azuis... do cãozinho amigo e do gato ladino; das árvores que encantam, que ensombram, que fazem a chuva chover... das noites enluaradas e das estrelas sem fim... do calor que assusta e do frio que faz sofrer...

Visto do alto, o meu Brasil se confunde com outras terras e outros mares tão azuis e tão extensos que minha vista mal alcança...o meu Brasil de terras imensas, de águas ocultas, de rios largos e imensos, de peixes tão grandes quanto pequenos. Visto do alto, meu Brasil me comove - quem é você, Brasil? De quais lugares você veio e onde você está? Quem te construiu, quem sustenta a tua integridade?

Do alto do mais alto pico do Brasil eu poderia estender meus braços e abraçar o meu país, e torná-lo pequeno, e afagá-lo como a uma criança, como a um filho querido que geme e se contorce em suas dores, dores tão grandes que saem às ruas, que se revolta, que chora e se espreme em veículos que o conduzem à busca do trabalho distante, ou do divertimento imposto e bancado pelos novos colonizadores de ideias.

Quem é você, meu Brasil que, personificado em milhões de olhares úmidos de pranto por seus filhos perdidos pela bala “perdida”... quem é você, meu Brasil querido que, personificado em milhares de crianças e jovens que, na escola, mal sabem ler e escrever uns, ou que se perdem nos desequilíbrios da busca desenfreada do prazer que, logo trazendo o vazio,  sai e sai novamente sem rumo, sem destino...quem é você, meu Brasil, cujo olhar suplicante busca nos altares frios e distantes a resposta para o seu desencanto...
Quem é você, meu Brasil de milhões de esperanças e de outro tanto de almas enfermas da alma; quem é você meu Brasil que busca num simples jogo de bola a alegria distante...

Porque, meu Brasil, tantos te tratam assim? Porque de tuas matas mortas, de teus animais em extinção, de tua água que seca, tamanha a poluição... E eu afago o meu país pequeno em meus grandes braços, e tal como o profeta, levanto o meu país à vista d’Aquele que o criou, à vista daquele que é maior do que eu mesma, do que todos, e que esteve entre nós nos ensinando a caminhar,  o entrego nos Seus braços, e peço, e oro, pelo meu Brasil, para que possa andar com suas pernas vacilantes, que possa sorrir de vera alegria, que possa ver em torno de si a grande promessa de paz, que possa abraçar e ser abraçado, amar e ser amado, sem medo, sem raiva, porque crescido, adulto, educado, maduro e irmão.              

Que o meu Brasil possa sair de madrugada, e seguir para o seu trabalho compensador, e encontrar a rota certa, a segurança, a realização. 

Que o meu Brasil não dependa de quem quer que seja para alimentar-se, cuidar-se, ter seus filhos, comprar sua casa – porque tudo, tudo que fizer e realizar e respeitar reverterá a seu favor.

Que o meu Brasil respeite mares e lagos, rios e matas, animais e humanos, pois tudo faz parte do mesmo ciclo de vida, porque sabe que se assim não fizer, simplesmente morrerá.
Que o meu Brasil tenha seus representantes legítimos porque eleitos pela Verdade e por e pela Verdade trabalharão.

 Que o meu Brasil apague de sua lembrança os maus governantes, os manipuladores, os corruptos e corruptores, os roubadores, os criminosos, os mentirosos e hipócritas, os que deturpam a paz e lesam os bens públicos; e que este momento não passe de aprendizado – longo, doloroso e definitivo aprendizado - em busca da honestidade, dos valores e virtudes humanas que a sustentam e à Vida.
Que o meu Brasil reconstruído pelo trabalho, pelos estudos, pela capacidade que tem de  sentir  empatia, afaste de si o egoísmo feroz e o individualismo doentio, que empobrece as suas capacidades, que o torna menor, que o submete à manipulação, e bloqueia o seu imenso potencial de realização.

 Que o meu Brasil reconstruído pelo Amor, a ele finalmente dê guarida, abrindo os seus braços para os filhos das guerras distantes, das tragédias que ferem, dos dramas ocultos, das perseguições inumanas e cruéis.
Que o meu Brasil gigante acredite em si mesmo, mas seja tão humilde quanto a sua imensa capacidade de compreender.

Que o meu Brasil querido seja o coração que ama e a terra do Amor, que, renascido um dia, partiu mas nunca nos deixou.

Brasil: ergue-te, realiza, trabalha, acredita, ama, suba aos montes mais altos, eleva-te em espírito e de lá, visualiza o imenso caminho que te cabe; ele está perto de ti, bem perto, tão visível quanto as estrelas, tão fresco quanto as ondas do mar, tão vivo quanto as árvores,  silentes, belas e partícipes da vida – sai em busca das tuas bem-aventuranças,  segue a Luz que te criou, encontra-te contigo mesmo, e com todos os que te cercam. 

Meu Brasil, jamais se submete, jamais se escraviza, a nada e a ninguém, a nenhuma circunstância. E o meu Brasil refeito e reconstruído, espiritualizado e trabalhador, finalmente estará pronto para abrigar a Paz – e de seu imenso coração emanarão os mais sublimes sentimentos que abraçarão a Terra inteira, os nossos irmãos. 
Sonia    

sábado, 21 de dezembro de 2013

FELIZ NATAL COM JESUS DE NAZARÉ!!!


ELE NÃO FOI UM FILÓSOFO, NÃO SE ENCAMINHOU ÀS CÁTEDRAS DO CONHECIMENTO LITERAL... NÃO SE PREOCUPOU COM AS ILAÇÕES DO PENSAMENTO... JAMAIS SE COLOCOU ENTRE OS GRANDES DO MUNDO, ENTRE OS DE GRANDE INTELIGÊNCIA OU SABER, ENTRE OS DETENTORES DO PODER TEMPORAL.
JESUS NASCEU E VIVEU NA SIMPLICIDADE ... ENSINOU OS VALORES DO ESPÍRITO, A HONORABILIDADE DA ALMA E A NOBREZA DO AGIR... SUA PRESENÇA FOI TÃO MARCANTE QUE O TRANSFORMARAM EM DIVINDADE.. FOI QUANDO ELE SE AFASTOU DE NÓS... HOJE, QUANDO OS HOMENS SOFREM E CHORAM EM MEIO ÀS TRAGÉDIAS DO COTIDIANO PORÉM EM MEIO TAMBÉM AS REALIZAÇÕES PERENES, ELE RESSURGE  EM PLENITUDE, EM SABEDORIA E EM AMOR ... PRESTEMOS ATENÇÃO ÀS SUAS PALAVRAS, AOS SEUS ENSINOS, À SUA LUZ...






sexta-feira, 21 de junho de 2013


I WAS AS BLIND, BUT NOW I SEE.. EU ESTAVA CEGO, AGORA VEJO... ("AMAZING GRACE" )


QUE O BRASIL POSSA RESPIRAR MAIS LIVRE...  QUE O BRASIL POSSA ABRIR OS OLHOS E ENXERGAR... QUE O BRASIL POSSA VIVER, ESTUDAR, TRABALHAR EM PAZ... QUE NOSSAS CRIANÇAS E JOVENS BRASILEIROS TENHAM ESPERANÇAS... QUE OS NOSSOS IDOSOS BRASILEIROS ESTEJAM COM A CONSCIÊNCIA TRANQUILA... QUE O PODER SEJA APENAS O DAQUELE QUE SABE RESPEITAR, HONRAR E BEM ADMINISTRAR O BEM PÚBLICO. 

SAUDAMOS O BRASIL - O DE HOJE E PARA SEMPRE ! 

CEFE, JUNHO 2013    

quarta-feira, 22 de maio de 2013

ODE À ALEGRIA

Ludwig Van Beethoven


Era o dia 7 de maio de 1824.
Os privilegiados espectadores sentados na plateia do Teatro em Viena, então capital do Império Austro-Húngaro, mal sabiam que estavam para presenciar a primeira audição mundial da maior obra-prima da História da música.
Ainda que o autor já fosse uma celebridade, recebido naquele mesmo dia com uma ovação digna das plateias de música pop de hoje, a reação foi surpreendente.
O comissário de polícia precisou intervir, para silenciar a explosão de aplausos na chegada do alemão: Ludwig Van Beethoven.
Era o dia da primeira apresentação de sua Nona Sinfonia.
Após as palmas, um grande estranhamento.
Até então, a sinfonia - forma musical para orquestra consagrada durante o classicismo - excluía por definição as vozes humanas.
No entanto, no palco sentavam-se quatro solistas e um coral em quatro partes.
Para aumentar a perplexidade, enquanto todos os outros instrumentos desenrolavam movimentos que superavam a racionalidade clássica, permaneciam em silêncio o coral e os solistas.
Eles entrariam apenas no quarto e último movimento.
Beethoven, três anos antes de sua morte, ali realizava uma vontade que alimentava desde os 22 anos de idade: musicar o poema alemão Ode à alegria, de Schiller.
E era o que fazia no derradeiro movimento da obra, quebrando a última barreira do modelo sinfônico.
Oh, amigos, não chega desses sons? Entoemos algo mais prazeroso e alegre! - Vibrou o barítono em recitativo.
Os baixos do coro responderam-lhe forte: Alegria, alegria! - para que, com a orquestra silenciada, começassem a solar um dos temas mais conhecidos da música ocidental.
O tema proclamava: Todos os homens serão irmãos.
Era o poema da fraternidade universal, musicado pela genialidade e sensibilidade irretocáveis de Ludwig.
Abracem-se milhões! Enviem este beijo para todo mundo!

* * *
A arte é o belo expressando o bom.
É a expressão da beleza eterna, uma manifestação da poderosa harmonia que rege o Universo.
Convidar a arte para nossa vida diária é ter à disposição excelente instrumento de civilização e aperfeiçoamento.
A influência da música sobre a alma, sobre o seu progresso moral, é reconhecida por todo o mundo. Mas a razão dessa influência é geralmente ignorada.
Sua razão está inteiramente neste fato: a harmonia coloca a alma sob a força de um sentimento que a desmaterializa.
Redação do Momento Espírita, com citações do cap. A música espírita, do livro Obras póstumas, de Allan Kardec.